sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Realidade Alternativa

Andei, andei, andei,
Vinda de já não sei onde.
Olhei perplexa em redor:
Tudo o que conheço,
De repente, se esconde.

Nunca consumi drogas,
Mas imagino ser este o efeito:
A minha cabeça anda à roda,
A minha boca está muito seca,
E o passeio está desfeito…

O sol está enorme, e perto,
Queimando toda a paisagem,
Só os Arranha-céus surgem,
É cinzenta e escura a paisagem.

A terra tem pedregulhos,
Está infértil de ressequida.
Então de onde vêm os vegetais,
Que me servem como comida?
De que se alimentam os animais,
Que como junto com bebida?

Caminho aos ziguezagues,
Julgo não ser próprio de mim.
Como de momento para outro,
Me encontro eu aqui?

Sim, boa! Penso eu aliviada, por
Ver um cruzamento à esquerda.
Fugirei por ali, iludo-me eu,...
Pois assim enrolo-me num véu.
Esse tecido inacabável cega-nos,
E já nem vemos a distorção.
Obrigo-me a olhar em frente,
E assim sigo…treme o chão.

Enquanto faço por perceber,
Onde estou, que local o meu,
Os segundos passam certos,
No grande relógio do céu.

Atravesso uma grande ponte,
De tons meio esverdeados.
Antes era de um verde bem nítido,
Mas os tempos estão mudados…
(os verdes estão queimados)

No meio de tanta confusão,
Ainda me consigo surpreender:
Com certeza, tiradas da cartola,
Homens têm flores para vender.

Desvio os olhos decidida,
E vou sem baixar os braços.
Mas ouço risos atrás de mim,
E outros além dos meus passos.

Chego ao final do percurso,
E nos meus olhos não quero acreditar:
Tudo em frente é um poço sem fundo…
Alternativas? Voltar para trás ou saltar.

E num momento de coragem,
Vejo que não me cativa,
Este mundo distorcido.
Salto para aquele fosso negro,
E permaneço em queda livre,
Procurando o desaparecido…

Comentário: Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, não me sinto triste nem desamparada, até pelo contrário. Escrevi este poema na primeira pessoa "eu", pois o seu plural fica "nós", e estou a falar da população em geral -> nós somos o Sujeito Poético, o Eu Lírico.
  Através deste poema metáfora pretendo passar a mensagem de que nem tudo é como imaginamos, as coisas por vezes mudam sem esperarmos, andam contra o relógio...e aí temos de tomar decisões: algumas são difíceis, mas podem ser as mais corretas.
  
Espero que tenham gostado e retirado dos versos alguma ideia positiva :)

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