quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Músico Solto e Livre

Vejam como toca! Que bem.
Toca para os montes, o céu…
Dizem as pessoas que o vêem.
Mas nunca chegam à base,
Àquele coração que é o seu.

O que o motiva a tocar,
O motivo mais genuíno,
Ninguém jamais alcança.
Só sabem que apreciam,
E que até o vento dança.

Mas ele alheia-se à gente,
Olha a paisagem e toca.
Vive o som como se nada,
Nada tivesse mais valor.
Será que quer que as notas,
Cheguem aos ouvidos distantes,
E adorados de seu amor?

Oh belo músico solto e livre,
Será que alguém te prendeu?
Terás musas qual Invocação
Ou tocas mesmo para o céu?

O som que produzes é magnífico.
Arrasas com as sereias do Pacífico.
Não te perguntarei porque tocas,
Porque continuas sem fraquejar…
Mas fico aqui a ouvir-te tocar.

domingo, 17 de agosto de 2014

Ir Mais Além

Comparamo-nos aos outros.
Tantas vezes, a confrontar.
Olhamos para todos os lados,
À espera de nos alegrar,
Esquecemo-nos é do essencial:
A prioridade de nos superar.

Irmos mais além, arriscar.
Onde nunca fomos antes
Passar, aprender, explorar.
Conhecermo-nos bem,
Onde conseguirmos pisar,
Os nossos medos, virtudes,
A nossa força para avançar.

O que interessa para ti
Do que outros seres melhor,
Se olhas para trás e vês
Que diminuíste o teu score?

O que importa se outro,
Foi mais que tu pontuar,
Se de dia a dia, cada dia,
Vês que estás a melhorar?

Há perguntas muito úteis,
Que sempre a ti deves fazer:
Dei realmente o meu melhor?
Sei qual é, e mostrei meu valer?

E acredito que pensando assim,
A nossa vida, mudar podemos.
Porque haverá melhor alegria,
Que a de a nós surpreendermos?

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A Vida Num Dia

Se a vida conhecida,
Se resumisse num dia,
Não a queria consumida.
Pergunto o que faria…

Com certeza não deixava
De o meu sorriso mostrar.
Cada oportunidade agarrava,
Para me divertir e amar.

Saltaria sempre mais alto,
Do que o salto anterior.
Abraçaria o sol e o mar,
A areia, a alegria e o amor.

E esse dia que desejava,
É o dia que hoje vivi.
Sinto-me livre e forte,
Corajosa, calma e feliz.
Quando, onde? Agora, aqui.

sábado, 2 de agosto de 2014

Vamos Fazer Resultar

Ele já gostava dela há algum tempo,
Mas ela parecia nele não reparar.
Sem notar, partilhavam gostos,
Espaços, visões e até um olhar.

Num momento de coragem,
Ele, forte, resolveu avançar.
Era ateu, sempre dizia,
Mas pediu a Deus para ajudar.

Aproximou-se, passo em frente,
Sem nunca desviar o olhar,
Este tinha receio, mas era
Intenso, como o seu respirar.

Pegou-lhe na mão e
Disse com delicadeza:
"Não sou um príncipe, mas
Quero fazer de ti princesa.
Não sou destas coisas,
Mas mudas algo em mim…
Por ti corria o mundo,
Apenas para ter um sim.

Eu sei, isto não é só amor,
É desejar-te, é possessão.
Quero que sejas minha,
Que me dês a tua mão.

Passeia comigo à beira-mar,
Guia-me no teu sentido,
Não importa onde vai dar.

Diz-me os meus defeitos,
Eu sei que posso mudar.
Mas perante todos,
A ti só vou elogiar.
E digo linda, nunca
Te sentirás sozinha.
Terás um amante,
Um grande amigo,
Aceita ser minha.

De dedos entrelaçados,
Eu te passarei força.
És a minha e eu
Sou a tua protecção.
Se alguma vez errei,
Peço-te perdão."

E verteu uma lágrima,
Estava emocionado.
Ela soube que o teria ali,
Perto, ao seu lado.

Nada é eterno nem perfeito,
Mas resolver arriscar.
Tocou-o na face suavemente:
Vamos fazer resultar!

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Realidade Alternativa

Andei, andei, andei,
Vinda de já não sei onde.
Olhei perplexa em redor:
Tudo o que conheço,
De repente, se esconde.

Nunca consumi drogas,
Mas imagino ser este o efeito:
A minha cabeça anda à roda,
A minha boca está muito seca,
E o passeio está desfeito…

O sol está enorme, e perto,
Queimando toda a paisagem,
Só os Arranha-céus surgem,
É cinzenta e escura a paisagem.

A terra tem pedregulhos,
Está infértil de ressequida.
Então de onde vêm os vegetais,
Que me servem como comida?
De que se alimentam os animais,
Que como junto com bebida?

Caminho aos ziguezagues,
Julgo não ser próprio de mim.
Como de momento para outro,
Me encontro eu aqui?

Sim, boa! Penso eu aliviada, por
Ver um cruzamento à esquerda.
Fugirei por ali, iludo-me eu,...
Pois assim enrolo-me num véu.
Esse tecido inacabável cega-nos,
E já nem vemos a distorção.
Obrigo-me a olhar em frente,
E assim sigo…treme o chão.

Enquanto faço por perceber,
Onde estou, que local o meu,
Os segundos passam certos,
No grande relógio do céu.

Atravesso uma grande ponte,
De tons meio esverdeados.
Antes era de um verde bem nítido,
Mas os tempos estão mudados…
(os verdes estão queimados)

No meio de tanta confusão,
Ainda me consigo surpreender:
Com certeza, tiradas da cartola,
Homens têm flores para vender.

Desvio os olhos decidida,
E vou sem baixar os braços.
Mas ouço risos atrás de mim,
E outros além dos meus passos.

Chego ao final do percurso,
E nos meus olhos não quero acreditar:
Tudo em frente é um poço sem fundo…
Alternativas? Voltar para trás ou saltar.

E num momento de coragem,
Vejo que não me cativa,
Este mundo distorcido.
Salto para aquele fosso negro,
E permaneço em queda livre,
Procurando o desaparecido…

Comentário: Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, não me sinto triste nem desamparada, até pelo contrário. Escrevi este poema na primeira pessoa "eu", pois o seu plural fica "nós", e estou a falar da população em geral -> nós somos o Sujeito Poético, o Eu Lírico.
  Através deste poema metáfora pretendo passar a mensagem de que nem tudo é como imaginamos, as coisas por vezes mudam sem esperarmos, andam contra o relógio...e aí temos de tomar decisões: algumas são difíceis, mas podem ser as mais corretas.
  
Espero que tenham gostado e retirado dos versos alguma ideia positiva :)