sábado, 9 de março de 2013

A Rosa que se Julgava Livre


Olá a todos!

Sei que não escrevo há algum tempo, mas na manhã de sexta-feira, ao fazer um elogio à minha querida mãe, ganhei inspiração para escrever a minha primeira fábula, conto, história com moral...(estou com algumas dúvidas acerca da definição que lhe ei de dar - talvez seja melhor serem vocês a fazê-lo).

Espero que gostem! :)

Havia um conde que tinha uma enorme mansão, e no seu centro, um bonito jardim.
Um dia, resolveu ir analisar as suas posses, e nele entrou: era mais esplendoroso que o melhor cetim!

Andou e olhou, observando as flores dentro da cúpula de vidro majestosa. Havia mil cores, sem fim, mas o conde parou numa rosa.

Com grande fascínio, o conde abriu-lhe o coração. Olhou-a, viu-a atentamente, e falou-lhe com emoção:
- Oh Rosa bela e viçosa, a mais pura do meu jardim! Oh Rosa branca e singela, a flor mais bela que eu já vi!


E com isto saiu e foi sentar-se na sala, num vigoroso sofá. Enquanto admirava tudo em seu redor, algo se passava por lá…

Dentro da cúpula, ampla e perfumada, uma rosa branca sentia-se muito amada. Virou-se para um malmequer, que vira toda a situação, e gabou-se com emoção:
- Oh pobre malmequer, não te sintas mal! Nem todas as flores podem ter esta imponência natural!

Ao que o malmequer, sábio e calmo respondeu (e nem com uma só palavra tremeu):
- Pena sinto eu de ti, que te julgas livre e adorada, mas tal como eu, não passas de uma decoração para ser observada. Se perdesses a beleza das pétalas, já não valias nada!

A rosa indignou-se, e com irritação expressou-se:
- Estou aqui porque sou desejada, mas não sou de ninguém! Tenho estes espinhos de proteção, que mostram o meu espírito selvagem e são! O conde ama-me na minha magnificência, sou uma rosa livre e de decência.

O malmequer, lúcido e consciente, quis trazer a rosa à razão. Olhou-a nos olhos, e disse com convicção:
- Ah, tu tens tanto de ingénua como de bela! Como podes ser livre e feliz se não viste o mundo, nem por uma janela?
Apanharam-te, encarceraram-te e deixaram-te os espinho para te dar a ilusão de controlo sobre a tua vida… e com umas palavras doces és completamente iludida…
Enquanto nós seremos postos em jarras ou deixados aqui a apodrecer, há flores que vivem em campos, e vêem o sol nascer.
Não sabemos o cheiro do ar puro, fomos afastados da nossa natureza. Será que foi para ficar entre paredes, que nos deram tal beleza?

Pela primeira vez na sua vida, a Rosa sentiu o desejo de partir, quebrar todo aquele vidro e fugir. Como seria sentir a brisa do vento, ver as abelhas a polinizar e as aves a voar?

E quando enfrentou a realidade, ouviu passos no caminho…quando deu por si, estava cortada, no meio de um enfeitado raminho.
O malmequer nem sequer olhou, mas de si uma lágrima escorregou…

- Ahhhhh mãe! Tive um pesadelo horrível, nunca quererei ser como aquela rosa, presa num palácio, aparentemente irresistível…

E a Margarida adulta aconchegou a pequena florzinha: 
- Foi só um sonho…tenta sempre manter-te em liberdade, e nunca estarás sozinha!


O que acharam? Quantas rosas não andaram por ai...

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