segunda-feira, 26 de março de 2012

Folha Branca de Papel

 
















Seguro a branca folha
Pura, vazia de palavras.
Pego no repousado lápis,
Com o qual, outrora,
Davas uso, desenhavas.

Deito a cabeça sobre a mão,
Sem ideias, olho a alvura.
Necessito, busco inspiração…
Onde estará nesta altura?

Tamanho turbilhão de ideias
Percorrem a minha mente…
Escreverei sobre o futuro?
Passado? Sobre o presente?

Pelo papel passam vidas,
Sofrimentos sufocantes,
Alegria e esperança…
Passam risos de criança…

A folha torna-se um livro:
Mostra estudantes, professores,
Valsas, combates, canções…
Reflete realidade e fantasia…
Princesas, duendes e dragões…

O quadro está imaginado,
É preciso escolher os traços.
Gastar o carvão, escrever,
Dar os segundos passos.

Mas cada gota de amor,
De amizade, de bravura,
É digna, boa musa de poesia.
Por onde começarei,
Pelo nascer do Sol,
Pela sua maravilha?

E esta simples folha?
Que atura o meu olhar,
Me ouve silenciosamente,
Dá-me incentivo a começar…

Ela que possua as estrofes,
Que seja lida, valorizada.
O poema está terminado.
E a folha bem enfeitada.

sábado, 24 de março de 2012

Será o dinheiro tudo?


Numa terça-feira, em que o sol brilhava bem alto no Céu e o ar estava agradável, fui passear com uma amiga minha. A meio do caminho começámos a filosofar e a pensar em assuntos da vida.

 Tudo começou à hora do almoço, quando nos interrogámos sobre o tipo de comida que teremos disponível no futuro (provavelmente a qualidade e quantidade das frutas e legumes diminuiria consideravelmente). Mas o post d’hoje não se baseia neste assunto, mas sim na reflexão que tivemos sobre o dinheiro e a sua importância.

 Estava extremamente feliz e, na companhia do sol, da energia da caminhada e da paisagem verde que me envolvia escapou-me uma observação: como seria bom explorar o mundo, aproveitar cada terra, e passear livremente sem termos de nos preocupar com a constante criminalidade que assola o nosso país e o mundo em geral! E essa exclamação levou o meu pensamento ao cerne do problema: porquê esta enorme quantidade de crimes?

 Se ouvirmos as notícias, e raciocinarmos bem sobre esta questão, chegamos à conclusão de que, a maioria dos delitos são causados pelo desejo incontrolável das pessoas de querer ter mais e mais dinheiro.  

Infelizmente a excessiva dependência do dinheiro é uma realidade do século XXI. Cada vez mais as pessoas vivem para ganhar dinheiro, estudam a pensar na quantidade de dinheiro que vão ganhar no futuro, sorriem pelo dinheiro, deprimem-se pelo dinheiro, matam por dinheiro, entregam-se completamente ao dinheiro.

Mas porque não andam sempre felizes? “O dinheiro não traz felicidade” pode parecer
uma frase feita e banal, mas que tem o seu grau de verdade. Se as pessoas viverem à espera que os seus bens materiais lhes dêem tudo, limitam-se a “passar pela vida”, sem a aproveitarem devidamente – muitas vezes percebem-no tarde demais, quando vêem que desperdiçaram os “melhores anos das suas vidas” a dedicarem-se a algo que não as preenchia inteiramente.

O que é a vida se uma flor, o nascer do sol, um canto de um passarinho e coisas como uma simples folha de uma macieira não criarem qualquer tipo de fascínio em nós? O que é a vida se ignorarmos tudo o que nos rodeia, para nos fecharmos no nosso mundo isolado de trabalho, stress e dinheiro?

Este estilo de vida não se verifica só nos adultos, como também nos jovens, que antes de se perguntarem sobre o que gostam, o que os faz feliz, perguntam-se “quanto ganharam no futuro”.

No meu ponto de vista, esta sociedade cria máquinas vazias e insatisfeitas, e não pessoas realizadas. Quereremos viver assim?
Eu própria cheguei à conclusão que passei a maioria dos meus anos de escola a decorar e a aprender para que o que sei se evidenciasse na nota dos testes, sem nunca me perguntar o porquê daquilo que estava a aprender, sem tentar descobrir o que mais me agradava no meio de todos aqueles livros. Mas ultimamente dei-me conta que a vida é muito mais agradável se apreciarmos o que fazemos. Apercebi-me do motivo pelo qual fui para Ciências e Tecnologias. Gosto do que faço.

Em suma, vou tentar viver a minha vida sem me esforçar demasiado nas coisas que não me dizem nada, a não me apegar tanto aos bens materiais, a apreciar o mundo à minha volta, e sobretudo, arranjar tempo para parar, deitar-me na relva e olhar o céu, e relaxar, sem me preocupar com nada.

Trabalhem, sintam-se realizados profissionalmente, mas não deixem que o dinheiro vos roube a vida!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Amo-te - poema


Nunca tivera presenciado,
Na história da minha existência,
Amor tão puro e fascinado.

Veio cautelosamente,
Não teve pressa, surgiu.
Chegou e criou raízes,
A fixar-se ninguém o viu.

Este amor alimenta,
Não exige coisa alguma:
Não pede mágoa,
Não pede sofrimento.
Ele vive, livre como o vento.

É ingénuo e fácil de satisfazer,
Tal e qual uma criança.
Alegra-se com um sorriso,
Uma palavra…guarda-os
Como uma herança.

Adoro rir contigo,
Fazes-me tão bem.
Não te peço mais nada,
Apenas que continues tu,
Sem tentares ser outro alguém.

Este amor que sinto,
Simplifica o meu escrever,
Tira-lhe a “careza”,
Mas dá-lhe alma e um ser.

Amo-te!