terça-feira, 25 de outubro de 2011

Chuva


Uma noite de Outubro, estava eu a olhar pela janela do meu quarto, e comecei a escrever. O texto não está muito elaborado, não está resvisto muitas vezes, mas está sentido.

Espero que gostem:

 


 A noite está escura, o céu está baço e sem luar. A rua molhada é iluminada pelas luzes noturnas. As janelas estão fechadas, exceto a minha. Eu ouço, sinto, e medito as gotas espessas da chuva que cai em Outubro, depois do prolongamento do calor. A Terra, de cultivo, das pequenas hortas da zona agradece, assim como a da minha horta. Os habituais gatos vadios abrigaram-se, não havendo guerras e miaus esta noite.

  Espirrei, talvez esta humidade tão próxima, e as gotas que me acariciam a face não me façam bem – mas necessito delas. Acalmam-me e fazem-me sonhar.

  Sentada no meu edredão sinto que não preciso de nada, só da chuva. Esta noite, eu e ela somos um só ser. Não fisicamente, mas o meu pensamento está em cada gotinha, no seu som, na sua dança. Apercebo-me o quão perto estão as gotas da paz, da própria alma.

  Fecho os olhos e imagino-me ali, descalça na terra escura, dançando na chuva – a minha musa, o meu porto de abrigo, esta noite. Como tudo me parece insignificante comparado com ela! O vento molhado que entra pela janela aberta resfria-me, mas faz-me sentir bem – não quero que se vá. Não agora. Quero escrever, quero saber mais dele. Dele, e da chuva que cai.

 Como se alegram as árvores já há muito sedentas, assim como eu, que encontrei na chuva a minha inspiração.

  Esta noite. Não quero a TV, nem a vida habitual, quero fundir-me com a chuva e deixá-la alimentar-me, apesar de gélida.

  Um carro acaba de passar na escuridão – como é bela a visão da sua luz tremida na chuva. Suspiro – queria passar assim toda a noite, longe de tudo, longe da minha mente, só a sentir este momento. A minha cama é desnecessária, a TV é ostentação, as mesas-de-cabeceira de nada valem – neste momento, não preciso de nada.

  E se amanhã brotarem novas plantas da terra, sorrirei e agradecerei, em silêncio ,à chuva. Se continuar a chover, cantarei ao ritmo da chuva, na sua melodia sobre o meu chapéu, e fechá-lo-ei à noite para que ela me molhe. Que paz…que música de embalar…

 Acabo de apagar as luzes, mas ao invés de medo, sinto uma aproximação maior com a chuva. Vou meditar mais profundamente, e aproveitar este momento…


2 comentários:

  1. Olá Ana Raquel0!

    Gosto do teu blog, pois é uma lufada de ar fresco neste mundo (de adultos?.

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