terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Sidharta

Como vos disse no último post, de vez enquando, vou falar de alguns livros. Hoje, vou dar a minha opinião sobre Sidharta, de Hermann Hesse.



Como podem ver na capa do livro, ganhou um Prémio Nobel da Literatura, em 1946.  É um livro relativamente antigo, mas a sua mensagem é, segundo o meu ver, algo intemporal.

O livro conta a história de um Indiano, Sidharta, que era rico e vivia num palácio. Era culto, pois tinha ensinamentos dos melhores prefessores; meditava, participava em banhos de purificação, fazia sacrificios aos deuses (principalmente a Braman - um deus do qual não tenho muito a comentar, pois só fiquei a saber da sua existência com o livro) e era um aluno dedicado e admirado.  Amado e admirado, não só pelos pais (o seu pai era o mais venerável bramane), como também por toda a gente. Era belo, inteligente e adorado.

A maioria das suas práticas diárias serviam para ele e os seus mestres conseguirem encontrar-se a si mesmos, ou seja, chegar à felicidade e preenchimento total da alma (estado de nirvana). No entanto, aquela vida não o fazia chegar a lado nenhum. Nem a ele nem a seu pai nem a nenhum dos outros bramanes que conhecia, pois, dia - a - dia, repetiam as mesmas coisas sem, no entanto, colher os frutos. Ele, Sidharta, já não era feliz ali, precisava de mais, precisava de se encontrar...

Certa altura passaram na cidade uns samanas, astecas que faziam peregrinação e que aprendiam a não ter fome, a ser resistentes à dor, entre outras coisas. Sidharta achou que o seu caminho e a sua aprendizagem deveria ser com eles, os samanas. Assim sendo, através da ameaça de ficar imóvel, de pé, no mesmo lugar até o pai o deixar ir (pois não queria partir sem autorização), ou até morrer. Como qualquer pai com amor ao filho, o de Sidharta cedeu e deixou-o ir.

(eu achei a atitude de Sidharta espantosa, uma vez que, sem gritar, chatear, resmungar e, sem desobedecer a seu pai, Sidharta conseguiu aquilo que queria usando a sua inteligência, coragem e vontade).

Mais uma vez, verifica que o seu caminho não é com os samanas, pois eles conseguem fugir da dor e da vida sem plenitude, por momentos, através da meditação. Mas um bêbedo numa taberna também o consegue através do alcóol - é temporário, não o sacia.

Parte...

Passa por muitos lugares, mas nenhum o satisfaz, nenhum consegue dar-lhe o que ele quer. Chega a conhecer Buda, que estava no seu auge nessa época e vê nele o que procura. Ele sim, é um homem completo, feliz com o estado de nirvana alcançado. No entanto, Sidharta não fica com ele, pois pensa que a sabedoria não pode ser aprendida por outrem, apenas o conhecimento. Logo, ele só podia conseguir o que queria por si mesmo e não com doutrinas. E assim, segue o seu caminho.

Muitas coisas se passam na sua vida, mas no fim percebe que o que procura está dentro dele, não está nas coisas, nem nas pessoas, mas na forma como ele vê essas mesmas. Amando e apreciando tudo ao seu redor, conseguiu alcançar o seu objectivo - a Iluminação. E do seu interior, surgiu a tal felicidade.

Adorei este livro por diversas razões:
- A coragem de deixar o conforto e a riqueza do seu lar para ir em busca da realização dos seus objectivos;
- A forma como ele deixou e negou as coisas de que não gostava, ou achava não terem o final pretendido;
- A forma como muda de vida e convence as pessoas em seu redor, consoante o que pretende, da forma mais pacífica possivel;
- Realização do seu sonho.

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